Ser de Palavras
Eu sou um ser de palavras. Reflito isso enquanto penso num rabisco que escrevi a alguns anos atrás, no qual afirmo: Eu sou ser de palavras, sou também demasiadamente redundante, sou mulher, sou negra e periférica e com isso tenho em mim muitas coisas, entre defeitos, traumas, sonhos - mais declaro: a escrita tem me salvado há mais de vinte e tantos anos. Embora eu não tenha a audácia de revelar tudo o que tenho escrito, é certo que as palavras tem me auxiliado neste mundo como é, e está, e desta pessoa pessimista que escreve a fim de expurgar as vivências pessoais e vivências alheias que presenciei. De tudo o que sobrevivi, na escrita eu encontro acalanto. Já fiz um tanto de coisas. Fui babá, cuidadora, faxineira, acompanhante de idoso, atendente, vendedora, guia, decoradora de festa com balão, recreadora infantil, já cantei, dancei, atuei, contei histórias e em meio a todas essas coisas eu escrevi, e escrevo agora, um pouco perdida nessa minha trajetória. Eu tive a alegria de conh...